Hoje, enquanto tentava matar o tempo de uma tarde pouco atribulada, conversei com uma amiga e trocamos algumas impressões sobre o tema deste post.
Conversamos durante algum tempo, trocamos algumas impressões, revelamos desilusões e sentimos nostalgia, ou melhor tristeza!
A conversa terminou quando ambos nos deixamos apoderar pelas nossas frustrações.
Agora, aqui sozinho questiono-me: Foi isso o que nos aconteceu? Foram demasiadas as frustrações que não conseguimos ultrapassar? Não sei e talvez nunca venha a saber…
Ao longo da nossa conversa, fomos relembrando os tempos em que a “malta” andava toda junta, em como as nossas saídas eram divertidas,etc; seria isso afinal? Seriamos apenas (tal como ela disse) pessoas que saiam juntas, seriamos apenas pessoas que se habituaram a sair uns com os outros? Por muito que me custe aceitar, a verdade é que cada vez tenho mais consciência disso e revolto-me, revolto-me por não termos sido capazes de nos transformarmos uns aos outros, por termos deixado que a distância nos tivesse imposto barreiras que agora ninguém daquela “malta” parece querer ultrapassar… tenho pena, muita pena.
Confessei-lhe que chegava por vezes a sentir inveja daqueles grupos de amigos que perduram, que não se deixam abalar, que ultrapassam as crises (pois certamente também as terão)de uma forma unida e solidária, mas alguma vez fomos Amigos?
O que é afinal a amizade? O que erámos nós? Será que confundimos amizade com outros sentimentos?
Quantos de nós realmente se importaram com o “grupo”? Quantos de nós procuraram e tentaram manter o equilibrio e  bem estar do “grupo”?
Nenhum de nós o fez! E porque? Por cobardia? Por achar que não valia a pena? Ou por ser orgulhoso de mais e deixar que algum mal entendido interferisse e manda-se nas nossas vontades?
Mas algumas vez fomos Amigos?
Era bom que aqueles que pensam nisto, se alguma vez o fizeram, ou, se aqueles que se importam, dessem continuidade a este pequeno texto, pois, quem sabe se não seria uma forma de nos aproximar uns dos outros, nem que fosse para relembrar velhos tempos…
A angústia de sentir que aqueles eram tempos que já não voltam, faz-me procurar de uma forma incessante as falhas que tivemos, iludido de que as podemos reparar..como sou tolo!

Lembro-me de ti ó meu amigo
Após muitos anos já volvidos
Daquelas nossas noites estivais
Que a amizade tornou memoráveis.

Recordo-me do teu sorriso sempre afável
Apesar de por vezes teres o peito angustiado
E dos teus conselhos inolvidáveis
Quando graves conversávamos compenetrados.

Guardo o calor das tuas mãos
Quando no meu ombro se pousavam
Para realçar uma estima despreocupada
Que de tão profunda e verdadeira
Não necessitava se enfatizada.

Guardo ainda dos nossos devaneios
As gargalhadas com que brindávamos
Os contratempos que não nos impediam
De enfrentar os dias como a mestria nos exigia.

A brisa traz-me neste fim de tarde a tua imagem
Como outrora outras brisas nos afagaram
Quando ao anoitecer empenhados procurávamos
Engordar de alegria a nossa liberdade.

Lamento pesaroso o tempo da despedida
Porque crescendo nós 
Decresceram os nossos laços?
Cada qual foi preenchendo o seu espaço
Embora unidos por um abraço solidário.

E nesta tarde
Ó meu dsitante amigo
Como é enorme a minha saudade!…

PS: ” Já agora, vale a pena pensar nisto”