Ela - Sabes que mais?
Ele - O quê?
Ela - Faz hoje 4 meses que começámos a andar.
Ele - A sério? Fixe.
Ela - Fixe?
Ele - Sim, fixe. Não sei porquê, mas tinha ideia que era menos. Mas realmente o tempo voa quando passamos bons momentos.
Ela - É, tens razão.
Ele - Como sempre.
Ela - Amo-te.
Ele - É bom sabê-lo.
Ela - E…
Ele - E… o quê?
Ela - Gostava de te ouvir dizer o mesmo.
Ele - Também gosto muito de ti.
Ela - Só isso?
Ele - Gosto muito muito de ti.
Ela - Hum…
Ele - O que foi?
Ela - Nada, nada…
Ele - Ok.
Ela - Mas não me amas?
Ele - Perdão?
Ela - Disseste que gostavas de mim, mas não que me amavas.
Ele - Vai dar tudo ao mesmo. O que inter…
Ela - Como assim, vai dar tudo ao mesmo?
Ele - Pois, ao fim e ao cabo, é tudo uma questão de semântica.
Ela - Mas não me amas?
Ele - “Amar” é um termo tão banalizado…
Ela - Não foi isso o que eu perguntei.
Ele - Eu gosto genuinamente de ti.
Ela - Não foi isso o que eu perguntei!!!
Ele - Ok, ok! Eu… ah… o que é que entendes por “amar”?
Ela - Irra, que tu até parece que tens prazer em complicar as coisas!
Ele - Eu?!? Mas se já te disse o essencial! Que é preciso mais? Cortar o mindinho como prova de entrega à coisa?
Ela - É que se não gostas de estar comigo, diz-me já! Escusamos de andar a prolongar a situação!
Ele - Ò ‘môr…
Ela - Ò ‘môr? E ainda vens com essa atitude paternalista da tanga? Junta-lhe um beijinho na testa e pode ser que acabe a guerra no Darfur, já agora! Vocês, homens, são todos iguais!
Ele - …
Ela - …
Ele - A verdade é que estou viciado na tua pessoa. Acordo a pensar a ti, não almoço porque estou a pensar em ti, não janto porque estou a pensar em ti… Nem sequer durmo bem.
Ela - Porque estás a pensar em mim?
Ele - Não, porque tenho fome.
Ela - Estúpido.
Ele - Eu sei. No fundo, cada momento contigo é um bom motivo para dizer maravilhas da vida.
Ela - Hum… já está melhorzinho.
Ele - Ainda bem.
Ela - Amo-te.
Ele - Ahh… boa.