Confesso que tenho fobia à dentistas, nada de anormal atendendo ao número de pessoas na mesma situação.
Contudo a minha fobia é levada ao extremo. Para evitar as idas ao dentista: lavo os dentes 6 vezes por dia, utilizo vários tipos de tubos de pasta dentífrica, uso sempre o fio dental (próprio para dentes claro, mentes porcas!!) e uso sempre elixir, sem falar no pormenor que mudo de escova de dentes todas as semanas. Claro que esta ginástica toda tem os seus frutos já que tenho uma óptima saúde oral (momento de exibição!)!! Mas tenho a leve impressão que se continuar assim, vou acabar por gastar os dentes e ficar sem eles!!!
Este processo tem a sua razão de ser, há uns anos tive uma péssima experiência com uma dentista “carniceira” que me fez sentir a dor mais aguda e insuportável que senti em toda a minha vida. Antes não temia a dor, a partir dessa infeliz experiência fiquei cagarolas…
Uma vez que as desgraçadas das cáries não se tratam sozinhas e aparecem de rompante (traidoras!!), de vez em quando lá vou eu ao dentista, como quem vai à forca.
Embora ele já me conheça, faço-lhe sempre as mesmas recomendações com aviso prévio que não responderia pelos meus actos em caso de dor.
- “Doutor tenho dores de dentes à direita… à direita… À DIREITA PORRA! Não vale a pena mexer à esquerda, não tenho nada… AIIIIIII!! Ó? Então? Não tinha nada à esquerda!”
Passado 5 minutos são dores à direita e à esquerda! Vem a tortura da anestesia…
- “Oh Não!! Não tem nada mais pequeno?”
Geralmente uma injecção em qualquer sítio é uma picadela e já está, no dentista a nossa cabeça segue os movimentos da seringa por largos minutos. Quando o dentista finalmente retira a seringa, já se está enjoado.
Após várias doses, a anestesia começa a fazer efeito… os lábios ficam a pesar 5 kilos.
- “Então? Está bem?”
- “chim, chim, sto vem mas staria melor lá pfora!”
Aí o dentista coloca-se de costas, mexe no seu cantinho. Temos a impressão que ele trabalha, é FALSO! O dentista vira-se de costas para rir da nossa figura! E francamente, tem razão!
Ele volta e enfia-nos na boca o gancho do capitão Gancho e vários rolinhos de algodão. Nessa altura quando não se está nada mas NADA à vontade para falar, ele começa a fazer perguntas!!
- “Então quando é que vai de férias?”
- “N’ei!”
- “Onde?”
- “N’ei!”
- “Como?”
- “N’ EI! OHHHHH!”
- “Bom, avise se a aleijar!”
- “AUUUUUU! Aiiiii!”
- “Ainda não a toquei!”
- “Ah na?? É neoso!” (nervoso)
- “Como?”
- “NEOSO!”
- “Desculpe?”
- “N’ei!”
Aí ele pega na broca que apelido gentilmente de “perfuradora“ mortífera:
- “Abra a boca!”
- “Na!”
- “Abra a boca!”
- “’ERE!!” (Espere!)
- “Então assim não consigo tratá-la!”
- “Quê la chabê!”
- “Então? Vamos lá!”
- “Dzevagainu (devagarinho), HEIN!?!”
- “Não se preocupe!”
Vem a “perfuradora” com toda a força e cada vez que ele mexe no dente, as nádegas descolam da cadeira 20 cm! Estranho como o dente está intimamente ligado ao rabo!
À certa altura, saí fumo da boca.
- “OHHH!OHHH! GEGA (chega)!!”
- “Como?”
- “o uo!!”
- “Não percebi!”
Retira a mão do dentista da boca e diz:
- “Há fumbo!!!”
- “Tenha calma, não é nada!”
Aí ele pousa a “perfuradora”, finalmente o rabo volta a encontrar-se com a cadeira. Nessa altura manda-nos um ar frio sob pressão no dente.
- “AIUUUUUU!!
- “Como?”
- “N’ei!”
Volta a pegar na “perfuradora” e a nossa mão agarra o braço da cadeira de tal modo que se conseguiria levar a cadeira para casa! Entretanto a mão direita parece querer apanhar os testículos do dentista sempre que a “perfuradora” derrapa! Quando fazem merda dizem todos a mesma coisa:
- “Beba água, bocheche e deite fora!”
Pegamos no copito de água, bebe-se com os 5 kilos de lábio e a água sai pelos cantos da boca.
- “Deite fora a água!”
- “á stá!” (na roupa)
Ao encostares-nos de novo na cadeira, volta-se com um fio de baba de quase 25 cm que nos liga directamente à bacia.
Quando o dentista acaba o trabalho, tira-nos os apetrechos todos da boca e insiste de novo em falar… mesmo vendo o nosso rosto deprimente com a boca mole e torta.
No caminho para casa, reza-se para que ninguém conhecido nos reconheça…